sábado, 17 de agosto de 2019

Melhores dias virão - Giselda Laporta Nicolelis.


          " Melhores dias virão” , literatura infanto-juvenil da autora Giselda Laporta Nicolelis. A personagem principal é Lenilson. Considerando que Lenilson é narrador-personagem, a linaguagem consequentemente é coloquial, já que Lenilson mal aprendeu ler e escrever. A linguagem, de alguma forma, caracteriza a personagem, expressa a sua condição social e cultural.

         E assim, através de uma linguagem fluente, não rebuscada, a personagem conta a sua história a um jornalista. Lenilson sempre se dirige ao jornalista através do vocativo “ mano’ , mas o jornalista não tem voz na narrativa, sua função é apenas ouvir a história . Isso aproxima o leitor da história, que também não tem voz na história, mas é convidado a refletir sobre os fatos e a trajetória das personagens.
          É possível observar uma crítica à sociedade , pois , referindo se ao caminho da marginalidade que em dado momento percorreu, Lenilson sempre afirma” Não nasci bandido, virei bandido”. Ou seja, Lenilson encontrou no meio social em que estava inserido, todas as condições para se torna um bandido: Família desestruturada, morava na favela dominada pelo tráfico e bandidagem. Era a ausência da família e do Estado. Faltava a presença de uma mãe e os conselhos e a firmeza de um pai, não era só a pobreza .  Lenilson achava que  se tudo fosse mais favorável a história seria diferente.
            Lenilson tinha quatro irmãos, só ele se tornou bandido. Os irmãos e a mãe passavam o dia trabalhando , embora  ganhassem muito mal. Só ele ficava em casa, pois era o irmão mais novo, e também não tinha um pai, pois este abandonara a família.
             Certo dia uma gangue adotou Lenilson , ele passou a consumir drogas e se envolver cada dia mais, até tornar-se fugitivo da polícia . Mais tarde teve que fugir novamente , mas desta vez da perseguição de bandidos.
                Então, aos 21 anos sai da cidade grande  e vai para uma pequena cidade. Lá ele tem a oportunidade de mudar de vida . Após refletir ,  acredita que é possível mudar. Em uma de suas reflexões, declara: “ É isso, cara, se depois de cada noite vem o dia você pode fazer a mesma coisa com a sua vida; se antes era noite ,agora é dia."
   



terça-feira, 30 de julho de 2019

Jude, o obscuro




                                                         Jude , o obscuro

          A história começa com o mestre-escola indo embora do vilarejo. Nessa época jude tinha onze anos e morava com a tia-avó, pois era órfão.Jude alimentava o desejo de ir embora para Christminster, cidade em que o professor fora morar. Porém sua realidade era trabalhar ajudando a tia . E Jude ia crescendo, cultivando o desejo de ser uma pessoa letrada. Já no início da juventude começou a trabalhar num serviço braçal ,embora tivesse como meta ir para uma faculdade dos seus sonhos. 
     Certo dia estava indo de Alfredston, onde trabalhava, para Marygreeen, seu vilarejo da infância, nesse percurso encontra Arabella Don. Esta , filha de um criador de porcos, lavava tripas de porco num riacho. Em um incidente, ambos começaram a conversar e demonstraram um interesse recíproco. Arabella falando de Jude para as amigas, assim se expressava: “ Ele não é ninguém, ainda que possa parecer, ele tocava a carroça da velha Drusilla Fawley lá em Marygreen , até virar um aprendiz em Alfredston. Depois disso ficou todo cheio de si e sempre lendo. Quer ser professor, é o que dizem.” Essas palavras resumem bem toda a trajetória de Jude.  
       Jude foi se envolvendo com Arabella, embora percebesse que isso o afastava do seu sonho. Ele não demonstrava segurança para assumir um compromisso. Estava dividido entre viver uma paixão ou realizar um sonho que alimentava há anos. Porém Arabella se demonstrava disposta a ficar com jude , mesmo que tivesse que lançar mão de suas armas de sedução. Já o jovem demonstrava uma certa ingenuidade e um certo temor. Alguma semelhança com a história bíblica de sanção e Dalila como se destaca em um trecho da narrativa: “Ficaram sentados olhando o salão e o quadro de Sansão e Dalila pendurado na parede” .     
      E assim , Arabella atinge o seu objetivo de casar-se com Jude. Aos poucos a sua esposa revela pequenos detalhes que demonstram que ela agiu de má-fé desde o início : uma imensa mecha de cabelo que a tornava mais bela, era postiça, já trabalhou de garçonete em um bar, não estava esperando um filho. O último artifício era apenas para apressar o casamento. Bem ou mal já estava casado, e por ser um homem “ honrado”, ia manter sua palavra. Jude e sua esposa estavam imersos na rotina de tarefas diárias, ambos abatendo porcos, por exemplo.Ele achava esta tarefa penosa , tanto para ele, como para o animal.      
      Certo dia o casal briga, ela decide ir embora e não volta mais. Alguns dias depois os pais dela decidem ir para a Austrália, e ela decide ir com eles ,sem demonstrar o menor arrependimento pela separação . Não deixou transparecer qualquer sentimento de amor por Jude, porém este, de alguma forma, ficou desiludido e entristecido.   
      Após 3 anos, Jude já está em Christminter, pensando em seu sonho de infância e , também, em sua prima Sue Bridehead que vira numa foto que sua tia guardava em casa.Nesta cidade, mesmo ao lado de uma multidão, sentia-se só, às vezes até invisível. Vivia na cidade , mas tudo o que podia era observá-la. Mesmo com seu emprego manual que arranjou numa oficina, sentia-se insatisfeito, ansiava por algo mais.  
       Após encontrar Bridehead na cidade, começa a se aproximar aos poucos da moça com muita cautela e sem revelar que era seu primo. Porém um dia ela descobre que era sua prima e tem a iniciativa de procurá-lo.Assim eles se aproximam mais e o encanto dele aumenta a cada dia.        
    E esse é apena só início de uma longa história que até pode ser considerada cativante por analisar tão minuciosamente as personagens, mas ao mesmo tempo é angustiante em razão do sofrimento psicológico em que estão imersos os personagens. E assim o leitor percorre lentamente as centenas de páginas.         
      Na obra ,escrita em 1895, o autor Thomas Hardy retrata a Inglaterra do século XIX . Na época em que foi publicado , recebeu muitas críticas por seu conteúdo ofensivo às instituições como a igreja , família, casamento, tratando também da questão da luta de classes, a ambição de ascender socialmente e financeiramente.  
     Enfim é uma história trágica, em que as personagens tentam realizar seus objetivos, mas sempre retornam para o mesmo ponto de onde partiram .  Foi assim com Jude quando casou, separou-se, buscou a felicidade e não encontrou , então casou-se novamente com a mesma pessoa; foi assim com Sue. Em alguns momentos há trechos dignos de figurar numa comédia, quando se considera a personagem de Arabella, mas o trágico se sobrepõe.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

A timidez e a audácia



      Diz a fábula que certo homem criava galinhas , certo dia resolveu, além das galinhas , colocar uma águia no galinheiro . A águia era tratada como galinha e achava que era galinha, e ciscava o chão a procura de comida . Ela não voava. Tudo isso até passar alguém e ver que aquilo era muito estranho, e decidindo então a ajudar a águia encontrar sua verdadeira identidade: águia e pronto . Foi difícil mostrar para a ave que ela era capaz de voar , que ela podia ir bem além . Ela foi enganada a vida toda , pois todos que a viam chamavam “ galinha” ., “ galinha”... Como uma ave sem imaginação seria capaz de lutar contra os rótulos, sozinha? alguém teve que lhe mostrar o que  ela era incapaz de ver.
      Transformando a fábula e fazendo uso da alegoria, substitua-se galinha por timidez; e águia , por audácia; o criador de galinhas pela voz da multidão , e aquele que muda o pensamento , Deus . Porque vem alguém e te chama “ tímido, “tímido” e por muito tempo você aceita e cada dia mais se comporta como tímido , mas um dia Deus transforma seu pensamento e revela a sua verdadeira identidade , “ audacioso” , “ valente”. Sempre para cumprir todas as missões , sem medo , sem timidez . Porque você não é o que a multidão diz , você é o que Deus te fez , isso ninguém pode mudar.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Um recomeço

    Assim como a terra era sem forma e vazia antes de Deus trabalhar para moldá-la, assim também é o ser humano sem o mover de Deus: um ser humano sem forma e vazio.

    Quando o homem busca a Deus, Ele começa a transformá-lo, torná-lo produtivo e cheio de vida.

    Há esperança para a humanidade, e apesar de a iniquidade ter aumentado, Deus continua a oferecer a sua misericórdia através da salvação em Jesus Cristo.

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 " E a terra era sem forma e vazia[...] ( Gn 1.2)
" [...] E viu Deus tudo quanto era feito, e eis que era muito bom" ( Gn 1.31)
"[...] Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados" ( Mt 1.21)


   

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Análise do poema “Quebranto”


Análise do poema “Quebranto”
Autor: Cuti
Obra: Cadernos Negros Os Melhores Poemas



      Quebranto” é um poema forte que traduz toda a questão da discriminação racial no país, o autor se utiliza de uma construção poética inesperada e surpreende o leitor, à medida que, expõe a realidade do cotidiano negro, por meio de sua própria fala, o poema mostra o olhar da sociedade de brancos sobre os negros.
     Assim, o poema denuncia a força do preconceito velado na sociedade brasileira, que a qualquer momento pode explodir e em qualquer ambiente (como se vê agora em estádios de futebol), onde tenha brancos ou negros também, por isso, a expressão “às vezes” que percorre e finaliza o poema. O autor revela ainda que, a ideologia dominante prega que a discriminação racial é na verdade culpa do próprio negro, e não daquele que discrimina, a ponto do negro negar sua condição e não conseguir sentir orgulho de si mesmo, nem diante do espelho. O título do poema ‘“Quebranto”, já avisa o leitor sobre a condição de abatimento, enfraquecimento, prostração, mau olhado, que recai sobre o povo negro.
        O poema “ Quebranto” faz uma crítica ao racismo e mostra que o discurso racista já foi assimilado pelo próprio negro. Este já não consegue reconhecer o seu valor como ser humano:
     “ Às vezes faço questão de não me ver
      e entupido com a visão deles
      me sinto a miséria concebida como um eterno começo”

       O poema revela o sentimento de um ser desvalorizado e impossibilitado de enxergar qualquer virtude em si mesmo , um ser incapaz de exaltar os valores de sua raça. O máximo que consegue é fazer uma denúncia da opressão social que vivencia naquele momento:
       “Fecho-me o cerco
     Sendo o gesto que me nego
     A pinga que me bebo e me embebo
     O dedo que me aponto
     E denuncio
     O ponto em que me entrego.”

      Observa que o sujeito poético internaliza as imagens depreciativas e além de oprimido revela-se como o próprio opressor . Referindo –se sobre a censura introjetada, Cuti destaca que “ O sistema repressor passa a contar com a própra energia do oprimido, que age contra si mesmo.” ( , Literatura negro-brasileira, Cuti, 2010, p.58) :

      “às vezes sou o policial que me suspeito
      Me peço documentos
      E mesmo de posse deles
      Me prendo
      e me dou porrada”




Quebranto 

às vezes sou o policial que me suspeito
me peço documentos
e mesmo de posse deles
me prendo
e me dou porrada

às vezes sou o porteiro
não me deixando entrar em mim mesmo
a não ser
pela porta de serviço

às vezes sou o meu próprio delito
o corpo de jurados
a punição que vem com o veredicto

às vezes sou o amor que me viro o rosto
o quebranto
o encosto
a solidão primitiva
que me envolvo no vazio

às vezes as migalhas do que sonhei e não comi
outras o bem-te-vi com olhos vidrados
trinando tristezas

um dia fui abolição que me lancei de supetão no
espanto
depois um imperador deposto
a república de conchavos no coração
e em seguida uma constituição
que me promulgo a cada instante

também a violência dum impulso
que me ponho do avesso
com acessos de cal e gesso
chego a ser

às vezes faço questão de não me ver
e entupido com a visão deles
me sinto a miséria concebida como um eterno
começo

fecho-me o cerco
sendo o gesto que me nego
a pinga que me bebo e me embebedo
o dedo que me aponto
e denuncio
o ponto em que me entrego.

às vezes!.. 










quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Ser sábio

     Ser sábio é saber discernir entre a verdade e a mentira e desmascarar a hipocrisia.
     Ser sábio é saber a hora de falar e a hora de ficar calado.
     Ser sábio é ter a capacidade de usar a mente e o coração.
     Ser sábio é reconhecer o momento de intervir e o momento de deixar acontecer.
     Ser sábio é estar em uma posição de destaque e não sentir orgulho, não estar no topo e mesmo assim, não se sentir inferiorizado.
     Ser sábio é ter tudo e não colocar o coração em nada.
     Ser sábio é ter moderação, viver com a razão , mas sem esquecer  da própria emoção.
   

Construindo o bem

Mesmo imperfeitos, que busquemos a perfeição,
mesmo buscando sermos melhores,
 sejamos compreensivos com os outros
e principalmente conosco.
Assim, se porventura falharem conosco
e se falharmos na busca de um ideal,
daremos uma segunda chance,
e também teremos uma segunda chance.
Sem medo prossigamos
com nossos lábios para edificar,
as mãos para  construir,
os pés para andar em retidão,
os ouvidos para compreender o mundo,
o coração para amar
e o olhar para ver um mundo melhor.



Árvore frutífera

    Você é uma árvore plantada junto a ribeiros, cujas folhas não caem e tudo que você fizer prosperará. É assim o justo descrito em Salmos ...